O planejamento para os próximos anos nas áreas de educação, segurança pública, saúde e segurança pública foram debatidos hoje (dia 27) no segundo módulo do ciclo de palestras Pensar a Bahia. Promovido pela Secretaria do Planejamento, o Pensar a Bahia tem como horizonte o ano de 2023, quando a Bahia vai comemorar 200 anos de independência.
"Não tem como pensar em infraestrutura sem se trabalhar a área da segurança, assim como é impossível se desenvolver no ponto de vista do planejamento econômico sem responder os desejos das questões sociais, como saúde, educação e o aspecto da geração de trabalho. Estas são partes que se encaixam, apesar de serem discutidas separadamente, e que precisam ser debatidas a partir de um olhar do que já aconteceu, apontando o que é possível construir para o futuro e tendo uma posição enfática em relação ao presente”, citou o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro.
O Pensar a Bahia servirá como base para a elaboração de um plano de desenvolvimento para a Bahia. De acordo com o chefe de Gabinete da Secretaria do Planejamento, Edson Valadares, o plano contribuirá para estabelecer os fundamentos para o desenvolvimento sustentável e equilibrado do estado para os próximos 13 anos, quando a Bahia comemora os 200 anos de independência. De acordo com Valadares, as diretrizes do plano serão formuladas até junho e contribuirão para orientar a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012 e nortear a construção dos próximos três PPA´s. “Vamos identificar as metas e elaborar estratégias de desenvolvimento para cada uma das áreas que estão sendo abordadas no Pensar a Bahia”, completou Valadares.
O potencial da Bahia para o setor de serviços e a política de desenvolvimento empreendida pelo Governo Wagner foram destacados na palestra proferida pelo Superintendente de Planejamento estratégico da Bahia, Paulo Henrique Almeida. De acordo com o superintendente, o desenvolvimento do estado não pode ser apenas relacionado à atração de indústrias. “Em 2007, o IBGE mudou sua metodologia de cálculo, revelando o real peso do setor de serviços na composição do PIB”, disse. Almeida destacou o peso do setor de serviços na economia baiana, defendendo que a indústria de serviços tende a crescer. “Na composição do PIB da Bahia, o setor de serviços já representava 60% em 2008”, disse.
Educação tecnológica foi destacada por especialistaA mesa de trabalho temática nas áreas de saúde e educação ocorreram pela manhã. Para o especialista em educação e infância e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Miguel Arroyo, o sistema de ensino médio ainda não está alinhado com o mundo do trabalho. “Os jovens perdem o interesse na escola porque não encontram na educação subsídios para o mundo do trabalho”, destacou. Arroyo também citou a implantação de escolas técnicas pelo presidente Lula como um caminho para o desenvolvimento.
Modernização e inclusão social geram impactos positivos na Segurança PúblicaA modernização tecnológica da polícia, a ampliação das políticas de inclusão social e a descentralização do desenvolvimento foram estratégias apontadas como alternativas para a diminuição da violência nos próximos anos. Para coordenador do programa de pós graduação em desenvolvimento regional da Unifacs, Alcides Caldas, uma política de segurança pública deve levar em consideração a diminuição das desigualdades regionais. “Na Bahia, por exemplo, o PIB sempre esteve concentrado em Salvador, o que gerou falta de oportunidades ao longo dos anos para as pessoas que habitam outras regiões do estado”, disse.
Caldas citou a experiência da implantação de um Centro Digital de Cidadania (CDC) no bairro de Mussurunga como uma estratégia bem sucedida para que o Estado possa combater a violência. “Os investimentos em segurança pública não podem ser limitados à repressão. Uma política pública em segurança também precisa levar em conta o investimento em inclusão digital, educação e desenvolvimento territorial”, disse.
A modernização tecnológica é a grande aposta para execução de novas ações no combate à violência. Este foi o tema abordado por Edval Novaes, que é subsecretário da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Segundo Novaes, os novos equipamentos proporcionam a ampliação do raio de ação e tomadas de decisão, tornando possível uma atuação mais eficiente. Ele também pontuou a mudança na formação do policial. "Hoje há ênfase na linha de polícia comunitária. Isso será fundamental para execução de trabalhos nas áreas tomadas pelo crime que deverão ser recuparadas", enfatizou.
A ampliação de programas sociais de acesso à moradia foi enfatizada pela professora da Faculdade de Arquitetura Urbanismo da UFBA, Ângela Gordilho. Segundo a professora, o Programa de Arrendamento Residencial somou 17 mil imóveis construídos na Bahia a partir de 2007 e tem outros 21 mil em construção e 30 mil aprovados com recursos assegurados. “É fundamental pulverizar a produção e orientar a auto-construção. A Lei de Assistência Técnica, por exemplo, tem que ser implantada com a ajuda de políticas públicas. É a partir do fortalecimento do Sistema Nacional de Interesse Social e de mais renda para as classes mais baixas que podemos evitar a bolha imobiliária”, destacou.
Carlos Alberto Vieira Lima, representante do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Bahia (Sinduscon), informou que a construção civil possui 8% de participação no PIB do Estado, crescendo 8,2% desde o ano de 2008. Segundo Lima, a construção civil é hoje a área que mais emprega na Bahia e a partir de 2007 houve uma grande aceleração na criação de postos de trabalho formais. “Foi o próprio setor da construção uma ferramenta para alavancar uma saída da crise econômica e hoje se mostra preparado para responder aos mais variados desafios. Hoje, aprendemos com este governo a dialogar com movimentos sociais, no sentido de construir propostas negociadas, e acreditamos que o diálogo com o Estado é fundamental para o desenvolvimento do setor”, afirmou.
O próximo módulo do Pensar a Bahia vai acontecer no dia 3 de março, também no Fiesta Convention Center, a partir das 8h. Os temas em destaque serão: política agrícola, agronegócio e agricultura familiar; descentralização industrial e mineração; meio ambiente, desenvolvimento sustentável e energias alternativas.
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